Alfaiates não são homens / Carpinteiros também não; / Homens são os lavradores / Que enchem a casa de pão.

Alfaiates não são homens
Carpinteiros também não;
Homens são os lavradores
Que enchem a casa de pão.

Elogio ao trabalho dos lavradores cujo labor permite trazer para casa os alimentos necessários para o sustento da família.

Os alfaiates e carpinteiros são referidos, certamente, a título de exemplo de profissões que são minimizadas perante o trabalho dos lavradores.

Arrenego do mouro e do judeu / Mas lá vem o Braguês / Que é pior que os três; / Do de Braga ao pé Libera nos Dominé. / E o do Porto no contrato / É pior que todos quatro / Mas então o ilhéu / É de se lhe tirar o chapéu!

Arrenego do mouro e do judeu
Mas lá vem o Braguês
Que é pior que os três;
Do de Braga ao pé
Libera nos Dominé.
E o do Porto no contrato
É pior que todos quatro.
Mas então o ilhéu
É de se lhe tirar o chapéu!

Este longo provérbio revela sentimentos ancestrais de desconfiança ou mesmo animosidade do povo pelos mouros e judeus (arrenegar = fazer mau conceito de, detestar).

Mas a estes alvos tradicionais da malquerença do povo associa-se o homem de Braga, do Porto e das Ilhas. Num latinório estropiado pede-se a Deus que nos livre da proximidade do braguês; o homem do Porto é o pior de todos para fazer contratos; quanto ao  ilhéu deve ser o pior de todos os anteriores pois, nesta matéria “é de se lhe tirar o chapéu”, ou seja, é digno de respeito, pelas más razões.

Homem peludo, ou forte ou amorudo

Homem peludo, ou forte ou amorudo.

Quer dizer que o homem com muito pêlo no corpo é dotado de força e/ou de sensualidade.

É conhecida a história de Sansão, herói bíblico dotado de grande força e que teve aventuras com várias mulheres, mas a quem Dalila terá cortado a cabeleira para o enfraquecer e poder dominar.