Arrenego do mouro e do judeu / Mas lá vem o Braguês / Que é pior que os três; / Do de Braga ao pé Libera nos Dominé. / E o do Porto no contrato / É pior que todos quatro / Mas então o ilhéu / É de se lhe tirar o chapéu!

Arrenego do mouro e do judeu
Mas lá vem o Braguês
Que é pior que os três;
Do de Braga ao pé
Libera nos Dominé.
E o do Porto no contrato
É pior que todos quatro.
Mas então o ilhéu
É de se lhe tirar o chapéu!

Este longo provérbio revela sentimentos ancestrais de desconfiança ou mesmo animosidade do povo pelos mouros e judeus (arrenegar = fazer mau conceito de, detestar).

Mas a estes alvos tradicionais da malquerença do povo associa-se o homem de Braga, do Porto e das Ilhas. Num latinório estropiado pede-se a Deus que nos livre da proximidade do braguês; o homem do Porto é o pior de todos para fazer contratos; quanto ao  ilhéu deve ser o pior de todos os anteriores pois, nesta matéria “é de se lhe tirar o chapéu”, ou seja, é digno de respeito, pelas más razões.